JAIME PRADES
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SESC SÃO JOSÉ 2018/19
EXPERIMENTO PAISAGEM exposição coletiva de 06/12/2018 a 24/02/2019, São José dos Campos, SP.


A curadora Gabriela Leirias, Maria Claudia Novaes Curtolo do SESC, os artistas: Bruno Brito, Jaime Prades, Manuella Karmann e Diana Gerbelli.

PASSAGENS ELOQUENTES

O caráter permeável da arte possibilita investigações atreladas aos demais campos do conhecimento, imersões que podem expandir tanto as perspectivas artísticas quanto os sentidos atribuídos aos assuntos pertencentes a distintas áreas. Nessas aderências simbólicas e formais, outras configurações de saberes e de imaginários podem ser constituídas.

Nesse contexto, insere-se a exposição Experimento Paisagem, parte de uma trilogia que aborda as relações entre arte e natureza, sendo antecedentes as mostras: Campos invisíveis, de Daniel Caballero, e sonhos Yanomami de Claudia Andujar. Dessa forma, a partir de uma diversificada visão sobre tais relações, aproximações e distensões, o projeto atual, com obras de Jaime Prades, Manuella Karmann, Bruno Brito e Diana Gerbelli, busca sensibilizar os públicos acerca dos possíveis diálogos entre arte contemporânea e natureza na cidade.

Numa observação crítica, e ao mesmo tempo, poética sobre o Vale do Paraíba e sua imediações - que integram urbanizações e embates com biomas originários compostos predominantemente por Cerrado e Mata Atlântica -, a arte irrompe buscando ressignificar as relações humanas, seus afetos e, ainda, narrativas históricas e simbólicas.

Para o SESC, as reflexões trazidas pelo universo artístico e as propostas educativas processuais sedimentam caminhos essenciais para ampliar a percepção do outro, de si e do meio em que se vive, favorecendo a construção de uma sociedade que conheça no respeito às diferenças um de seus maiores patrimônios.

SESC São Paulo


Jaime Prades - Árvore cortada, madeiras das caçambas da cidade, 90 x 420 x 60 cm, 2010.

EXPERIMENTO PAISAGEM

Experimento: verbo do presente do indicativo, que demonstra ação individual de experimentar(-se). Abrir-se para algo novo, no singular da experiência. Diz respeito, também, a uma atividade laboratorial, onde uma ou mais pessoas criam combinações de elementos e substâncias, e cujo encontro pode gerar potências não precisamente calculáveis - imponderáveis.

Os artistas que compõem este experimento possuem pesquisas, linguagens e abordagens diferentes para investigar interações e apropriações na/da paisagem, seja ela urbana ou rural, litorânea ou florestal. Em comum, têm vínculos fortes com o Vale do Paraíba por ser morada, atual ou antiga, paisagem de memória, projeto de pesquisa, projeto de vida. São artistas implicados no seu entorno, com o seu fazer.

Para abordar a noção de paisagem, o geógrafo Milton Santos tratava das rugosidades: tais dobras, camadas de história e memória, temporalidades que coexistem numa mesma paisagem e constituem marcas e fissuras no corpo e no espaço. As paisagens aqui experimentadas inventam novas dobras, os artistas fabulam espécies vivas, tencionam materiais, pesquisam caminhos.

O artista-pesquisador Bruno Brito aborda a paisagem em diálogo com o mapa e apresenta, prenhe de imagens da cultura material da região do Vale do Paraíba, a verticalidade e o sentido da localização. Por meio de uma linguagem próxima a dos pesquisadores naturalistas, ressalta a cultura caipira e os caminhos originários responsáveis pela constituição de sua singularidade antropológica e geográfica.


Bruno Brito -

Manuella Karmann tece seu estudo a partir de São Bento do Sapucaí, biodiversa e envolta na Mata Atlântica. Sua prática artística está imersa na paisagem, que abriga dimensões biológicas, humanas e espirituais de um fazer meditativo, inspirada na técnica da pintura Pichwaii, tradicional do Rajastão.


Manuella Karmann -

O trabalho da artista e educadora Diana Gerbelli está ancorado no fazer cotidiano e na observação da natureza da área rural de Monteiro Lobato. Cria seres híbridos, meio humano e meio vegetal, para habitarem áreas verdes da paisagem urbana de São José dos Campos. Tais seres, os Casulos humanos, exigem a interação com as intempéries ambientais, e a consequente possibilidade de germinação das sementes sob a ação do tempo, para se completarem como obra.


Diana Gerbelli -


Jaime Prades, artista participante dos movimentos de arte urbana no Brasil na década de 1980, é um pesquisador sagaz das possibilidades da cidade como suporte e como matéria para a criação. Suas assemblagens contêm toda a energia matérica dos objetos originais, sejam de concreto, ferro ou madeira, todos impregnados de memórias de ações humanas. A série "Ossário" denuncia a crise material e espiritual: osso é a matéria essencial que se sobrepõe ao tempo,à morte e à efemeridade. E é a matéria fundamental que constitui o urbano.


Jaime Prades - Árvore cortada no primeiro plano e a série Ossário ao fundo.


As obras deste experimento fabulam sobre as relações humanas com o espaço. Criam fricções entre o rural e o urbano, entre cidade e natureza. São provocações relacionadas às desconexões do corpo com a terra, à memória do lugar e a nossa experiência como seres vivos. Resistências poéticas à velocidade imposta pelas transformações contemporâneas. É um convite a conhecer percursos e pesquisas poéticas para paisagens existentes, esquecidas e imaginadas. Um olhar descondicionado para o entorno, para o cotidiano,para o Vale do Paraíba.

Gabriela Leirias
Educadora, artista e cocuradora da exposição.